Quando se observa o percurso de uma saca de soja ou milho desde a fazenda até o porto de embarque, fica evidente que a logística responde por parcela significativa do custo final de qualquer negociação agrícola no Brasil. Wander Aguilera Almeida, empresário do agronegócio, acompanha de perto como esse trajeto, muitas vezes longo e sujeito a imprevistos, influencia diretamente o quanto o produtor rural recebe líquido por sua safra, independentemente da qualidade do grão produzido ou das condições de mercado no momento da negociação.
Qual o caminho percorrido pela safra até chegar ao comprador final?
A rota típica de escoamento começa na propriedade rural, segue por rodovias estaduais e federais até terminais de transbordo ou diretamente até portos, e finaliza com o embarque para exportação ou a entrega a indústrias de processamento no mercado interno. Cada etapa desse percurso envolve custos específicos, que variam conforme a distância percorrida, o modal utilizado e as condições da infraestrutura disponível em cada região produtora, além de fatores sazonais, como o volume de tráfego em rodovias durante períodos de pico de colheita.
Regiões mais consolidadas, como partes do Centro-Oeste, ainda dependem fortemente do transporte rodoviário para escoar grande parte da produção, o que eleva significativamente o custo do frete em comparação a países concorrentes que utilizam predominantemente ferrovias e hidrovias para esse mesmo trajeto. Wander Aguilera Almeida costuma citar essa comparação internacional como um dos principais argumentos para justificar a urgência de novos investimentos em infraestrutura de transporte no país.
Quais modais de transporte estão disponíveis e quanto cada um custa?
O transporte rodoviário segue como o modal predominante no Brasil, respondendo pela maior parte do escoamento da safra de grãos, apesar de ser, na maioria dos casos, o mais caro por tonelada transportada em longas distâncias. O modal ferroviário, embora mais econômico para grandes volumes, ainda cobre uma parcela limitada do território nacional, concentrando-se em corredores específicos que conectam algumas regiões produtoras a portos estratégicos, deixando grande parte do interior do país dependente exclusivamente de rodovias.
As hidrovias, por sua vez, representam a alternativa mais barata entre os três modais, mas dependem de investimentos em infraestrutura portuária fluvial que avançam de forma bastante desigual entre as diferentes bacias hidrográficas do país. Wander Aguilera Almeida reforça que a combinação eficiente entre esses modais, quando disponível, reduz consideravelmente o custo logístico da operação e, por consequência, aumenta a margem final do produtor, especialmente em regiões que conseguem combinar rodovia e ferrovia em um mesmo trajeto de escoamento.
Como a infraestrutura logística evoluiu ao longo das últimas décadas?
O Brasil investiu, ao longo das últimas décadas, em expansões pontuais da malha ferroviária e em melhorias de alguns corredores rodoviários estratégicos, mas o ritmo desses investimentos historicamente não acompanhou o crescimento da produção agrícola nacional. Enquanto a fronteira agrícola avançou rapidamente sobre novas regiões, sobretudo no Centro-Oeste e em parte do Norte do país, a infraestrutura de transporte nem sempre acompanhou esse movimento na mesma velocidade, criando um descompasso que persiste até os dias atuais. Esse descompasso histórico ajuda a explicar por que, mesmo décadas depois da consolidação do Brasil como grande produtor mundial de grãos, o custo logístico ainda representa um dos principais entraves à competitividade do setor frente a outros países exportadores.

O impacto do frete sobre o preço líquido recebido pelo produtor pode ser expressivo, sobretudo em regiões mais distantes dos portos de exportação. Uma safra produzida no interior do Centro-Oeste, por exemplo, pode ter parcela relevante de seu valor consumida apenas pelo transporte até o litoral, o que reduz sensivelmente a margem final em comparação a produtores localizados mais próximos dos terminais portuários. Segundo a avaliação de Wander Aguilera Almeida, esse fator logístico precisa ser considerado desde o planejamento da safra, já que a escolha de rotas e modais alternativos pode representar diferença considerável no resultado financeiro de cada ciclo produtivo. Produtores que negligenciam esse planejamento frequentemente descobrem, apenas no momento da colheita, que o custo logístico consumiu parte significativa do ganho esperado com a venda.
O que muda com novos investimentos anunciados em ferrovias e hidrovias?
Projetos de expansão ferroviária em andamento, voltados a conectar regiões produtoras do Centro-Oeste a portos do Arco Norte, prometem reduzir parte da dependência histórica do transporte rodoviário nos próximos anos. Essas obras, ainda que graduais, tendem a diversificar as rotas de escoamento disponíveis e a reduzir, ao menos parcialmente, a pressão sobre rodovias que hoje operam próximas do limite em períodos de pico de safra.
Enquanto essas obras não se concretizam plenamente, produtores e intermediadores seguem dependendo de planejamento cuidadoso sobre janelas de escoamento e alternativas logísticas disponíveis em cada região, de forma a minimizar o impacto do frete sobre o resultado final de cada negociação. Wander Aguilera Almeida nota que essa fase de transição exige atenção redobrada, já que os benefícios de novos investimentos costumam levar anos para se refletir integralmente no custo final do frete.
Como a sazonalidade agrava os gargalos logísticos existentes?
A concentração da colheita em curtos períodos do ano, sobretudo entre os meses de fevereiro e maio para a soja, intensifica a pressão sobre rodovias e terminais portuários exatamente no momento em que o volume de grãos a ser escoado atinge seu pico. Essa sazonalidade cria filas de caminhões que podem se estender por dias em determinadas regiões, comprometendo prazos de entrega previamente acordados em contrato. Um planejamento logístico eficiente busca antecipar esses períodos críticos, distribuindo o escoamento ao longo de uma janela mais ampla sempre que a estrutura de armazenagem da propriedade permite esse tipo de estratégia.
Quem produz grãos e busca entender melhor como otimizar o escoamento da própria safra encontra, em profissionais que acompanham de perto a logística regional, um apoio importante para tomar decisões mais informadas antes mesmo do início da colheita.
