Dez centímetros a mais na profundidade de um armário, na avaliação de Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, podem comprometer a circulação de um quarto compacto. Em residências com metragem limitada, a marcenaria sob medida é uma solução para otimizar o uso do espaço. No entanto, quando mal dimensionada, pode comprometer a área útil, causar escurecimento nos ambientes e gerar volumes que geram um impacto visual negativo.
A popularização dos móveis planejados levou muitos moradores a encomendar peças para todas as paredes logo após a entrega das chaves. A compreensão das peças que justificam o investimento, como dimensioná-las adequadamente e onde deixar espaço livre é fundamental para transformar a marcenaria em aliada da metragem, e não em mais um obstáculo dentro de casa.
Marcenaria sob medida nos espaços em que cada centímetro importa
É importante ressaltar que nem todo ambiente se beneficia da mesma forma do móvel planejado. Os ambientes de cozinha, área de serviço e banheiro, que apresentam medidas e instalações fixas, são os espaços nos quais a marcenaria sob medida geralmente proporciona um melhor retorno, visto que permite o aproveitamento de recortes de parede, vãos sob bancadas e alturas não alcançadas por móveis prontos.
Nos quartos, o armário embutido, que se estende do piso ao teto, oferece uma solução prática para o armazenamento, sem comprometer a área disponível. Já na sala, a situação é diferente: peças soltas, como sofás, mesas e aparadores, permitem a reorganização do layout e o acompanhamento de mudanças na rotina, algo que um móvel fixado na parede não oferece.
Por sua vez, Daugliesi Giacomasi Souza destaca que a predominância de marcenaria na área social pode limitar a flexibilidade do ambiente. A instalação de painéis, estantes e racks fixos em todas as paredes proporciona um ambiente pouco versátil, que dificulta a adaptação a mudanças futuras, como a chegada de um novo membro da família ou a criação de um espaço para home office.

Medidas e escolhas que preservam a circulação
O dimensionamento corresponde à etapa em que se define se a marcenaria ampliará ou reduzirá o apartamento. No parecer de Daugliesi Giacomasi Souza, a conta deve ser iniciada pela circulação, e não pelo volume de armazenamento desejado, visto que um armário espaçoso que impeça a abertura de uma porta compromete o uso do cômodo inteiro. A definição é orientada por alguns critérios:
- Profundidade adequada: armários de roupas funcionam bem com cerca de 60 centímetros, enquanto estantes para livros e objetos podem ter entre 25 e 35, o que libera área de passagem.
- Portas de correr ou de abrir: as de correr dispensam a área de abertura, úteis em corredores e quartos estreitos; as de abrir dão acesso total ao interior, mas exigem espaço livre à frente.
- Altura total: levar o armário até o teto aproveita uma área normalmente desperdiçada e evita o acúmulo de poeira sobre o móvel; a parte superior pode guardar itens de uso sazonal.
- Móveis multifuncionais: camas com baú, bancos com compartimentos e mesas rebatíveis acumulam funções sem ocupar mais área, desde que os mecanismos sejam resistentes ao uso diário.
- Cores e acabamentos: tons claros, frentes lisas e puxadores embutidos reduzem o peso visual de grandes volumes, especialmente em ambientes com pouca luz natural.
Como ressalta Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, a definição desses critérios tende a ser mais eficaz quando estabelecida sobre o projeto arquitetônico, com o layout completo do ambiente à vista. A medição precisa da abertura das portas, da passagem entre a cama e o armário e da distância entre as bancadas é essencial para evitar surpresas durante a instalação, quando qualquer correção pode exigir a refação de peças inteiras.
Espaço livre também é projeto
Por fim, em apartamentos compactos, embora seja compreensível a tentativa de preencher todas as paredes com marcenaria, tal prática nem sempre é a melhor solução para a falta de espaço. Móveis sob medida, projetados para se adaptarem a ambientes com medidas rígidas e dimensionados a partir da circulação, são mais vantajosos. Isso permite que a área social seja livre para se adaptar às mudanças da rotina. A redução do número de peças, com foco na precisão, tende a resultar em custos mais baixos e uma durabilidade superior.
Para Daugliesi Giacomasi Souza, o vazio meticulosamente planejado é um elemento essencial do projeto, equiparado em importância ao armário. Um apartamento pequeno aparenta ser mais amplo não pela quantidade de móveis que comporta, mas pela facilidade de circulação e vivência no interior do ambiente.
