Há uma simetria particular na trajetória de Franco Douglas Lima Dias. Ele cresceu em Ferraz de Vasconcelos, estudou na rede pública do município sem diagnóstico visual, desenvolveu ceratocone por falta de acompanhamento oftalmológico precoce e construiu, décadas depois, um programa que garante exatamente o que ele não teve: triagem visual gratuita dentro das escolas públicas daquela mesma cidade. O Projeto Visão em Dia não chegou a Ferraz de Vasconcelos por acaso. Chegou porque quem o criou conhece de dentro o que aquelas crianças precisam.
O programa já ultrapassou 5 mil atendimentos, distribuiu cerca de 2 mil óculos e contemplou 18 unidades de ensino na região do Alto Tietê. A APAE de Ferraz de Vasconcelos recebeu visitas do programa; diagnósticos de ceratocone foram identificados em alunos sem histórico oftalmológico e iniciativas como a doação de câmeras, internet e o apoio ao micro-ônibus da instituição completaram um histórico de envolvimento que vai muito além de uma única ação.
Para as crianças que estudam hoje nas escolas públicas de Ferraz de Vasconcelos, o projeto que Franco Douglas Lima Dias construiu é o serviço que ele mesmo teria precisado quando tinha a idade delas.
O que significa criar um projeto na cidade onde você cresceu?
Criar um projeto na cidade onde se cresceu carrega uma dimensão que vai além da logística. Franco Douglas Lima Dias não escolheu Ferraz de Vasconcelos como ponto de partida do Projeto Visão em Dia porque era a cidade mais conveniente. Escolheu porque é a cidade que ele conhece de dentro, onde viveu as limitações do sistema público de saúde ocular e onde identificou, com precisão, que havia crianças passando pelo mesmo caminho que ele.

Conforme aponta a trajetória do programa, essa proximidade com o problema é o que orientou cada decisão operacional do Visão em Dia: ir até as escolas em vez de esperar que as famílias busquem o serviço, realizar triagens que identificam condições complexas como o ceratocone e entregar a correção no mesmo dia do atendimento. Cada uma dessas escolhas reflete o entendimento de quem sabe exatamente o que faltou.
Como o envolvimento de Franco Douglas Lima Dias com a APAE foi se construindo?
O vínculo entre Franco Douglas Lima Dias e a APAE de Ferraz de Vasconcelos foi sendo construído de forma gradual, a partir do momento em que o Projeto Visão em Dia expandiu suas ações para a instituição. O que o programa encontrou naquela visita, dois diagnósticos de ceratocone e dezenas de alunos sem histórico oftalmológico, revelou uma realidade que estava além do escopo da triagem visual e que motivou um envolvimento mais amplo.
O micro-ônibus voltou a funcionar com seu apoio. As câmeras de segurança foram instaladas. O acesso à internet foi viabilizado. Cada uma dessas iniciativas respondeu a uma lacuna identificada de perto, por alguém que estava presente o suficiente para percebê-la. Para a diretora Lara Benute, o conjunto dessas ações representou algo que a APAE não conseguiria construir sozinha: “Nossa APAE realmente precisa de ajuda.”
O que Ferraz de Vasconcelos ganhou com o Projeto Visão em Dia?
Ferraz de Vasconcelos ganhou, com o Projeto Visão em Dia, algo que não existia antes da chegada do programa: uma estrutura de triagem visual gratuita dentro das escolas públicas, acessível a crianças e jovens que não teriam chegado a esse serviço por nenhum outro caminho disponível. Ganhou também um histórico de diagnósticos que documenta a saúde ocular de uma geração de estudantes que, sem o programa, seguiria sem esse registro.
Segundo informações sobre a iniciativa, Franco Douglas Lima Dias mantém o objetivo de ampliar o alcance do Visão em Dia para novas unidades e municípios. O que foi construído em Ferraz de Vasconcelos é a base sobre a qual essa expansão continuará sendo desenvolvida. E para as crianças que receberão nos próximos ciclos o diagnóstico que precisavam, o projeto que nasceu naquela cidade continuará sendo o serviço que o sistema nunca havia oferecido antes.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
