Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, integra um ecossistema de profissionais que acompanha de perto um processo de digitalização que altera profundamente a forma como os cemitérios são administrados no Brasil. Por décadas dependente de registros manuais, planilhas e controles em papel, a gestão desses espaços atravessa uma transição na qual tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser condição de competitividade.
O movimento não é exclusivo do Brasil. Dados da consultoria McKinsey mostram que, globalmente, o uso de inteligência artificial por empresas saltou de 55% em 2023 para 72% em 2024. No Brasil, pesquisa da Ipsos em parceria com o Google indica que 54% da população já havia utilizado inteligência artificial generativa em 2024, número superior à média global de 48%. Esses dados ajudam a explicar por que setores tradicionalmente conservadores em sua forma de operar, como o cemiterial, começam a incorporar tecnologia em sua rotina administrativa.
A pergunta que orienta essa transformação é simples, mas estratégica: como gerenciar um espaço físico de grande complexidade, com milhares de jazigos, sepultamentos e famílias atendidas, sem depender exclusivamente de processos manuais sujeitos a erro e perda de informação?
Da planilha ao mapeamento digital de lotes
Softwares de gestão especializados, que integram agendamento, controle financeiro, gestão de ordens de serviço e mapeamento de lotes em uma única plataforma, têm se tornado ferramentas centrais para cemitérios que buscam profissionalizar a operação. Soluções como sistemas de gestão cemiterial baseados em mapeamento digital permitem criar plantas personalizadas dos terrenos, carregar e armazenar registros de sepultamentos e oferecer acesso público online a informações antes restritas a arquivos físicos.
Como considera parte da literatura técnica sobre gestão funerária, esse tipo de ferramenta reduz desperdício de espaço, facilita o planejamento de expansão física e permite identificar, em tempo real, a taxa de ocupação de diferentes setores do cemitério. Para empresas que administram terrenos de grande porte, essa visibilidade representa uma vantagem operacional significativa em relação ao controle manual.
Geolocalização resolve um problema antigo
Um dos avanços mais práticos da digitalização cemiterial é o uso de geolocalizadores para localização de túmulos, ferramenta já em uso em cidades como Hortolândia, Mogi Mirim, Rio Claro e Guarulhos. Antes desse tipo de tecnologia, localizar um túmulo específico em um cemitério de grande porte era um desafio logístico recorrente, especialmente para visitantes que não frequentavam o local com regularidade.

Como reforça Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, os aplicativos e totens digitais que indicam a localização exata de uma sepultura resolvem um problema que, durante décadas, dependia exclusivamente de mapas físicos ou da memória de funcionários antigos. Essa mudança melhora diretamente a experiência do visitante, ao mesmo tempo em que reduz a carga operacional das equipes administrativas.
Velórios online se consolidam como serviço permanente após a pandemia
A transmissão de velórios por plataformas online, adotada amplamente durante a pandemia, permanece em uso mesmo após o fim das restrições sanitárias, consolidando-se como serviço permanente. Em paralelo, o uso de QR codes em lápides, que conectam o espaço físico a memoriais digitais com fotos, vídeos e biografias, amplia a experiência de homenagem sem exigir grandes intervenções estruturais no espaço físico do cemitério.
Na interpretação de Tiago Schietti sobre movimentos observados no mercado, esse tipo de inovação representa um equilíbrio entre tradição e modernização, isso porque o espaço físico continua central ao processo de despedida, mas passa a se conectar a camadas digitais que ampliam o alcance e a permanência das homenagens.
De que maneira as startups estão utilizando tecnologia como uma vantagem competitiva?
Projeções da consultoria International Data Corporation (IDC) indicam que os investimentos em tecnologia no Brasil devem superar R$ 616 bilhões em 2025, reforçando uma tendência geral de digitalização que atravessa praticamente todos os setores da economia, incluindo segmentos historicamente vistos como resistentes à inovação. Para cemitérios de médio e pequeno porte, essa digitalização representa uma oportunidade concreta de competir com grandes redes, ao oferecer atendimento mais ágil, processos mais transparentes e gestão mais eficiente do espaço disponível.
Nesse sentido, Tiago Schietti demonstra que as empresas que atrasam essa transição correm o risco de operar com custos administrativos mais altos e menor capacidade de resposta a famílias que já esperam, em qualquer setor de serviços, agilidade digital comparável à de outros segmentos da economia.
Como a digitalização pode revolucionar a gestão cemiterial no Brasil?
A digitalização do setor cemiterial brasileiro ainda está em estágio inicial comparada a outros segmentos de serviços, mas já mostra sinais claros de aceleração. À luz do que frisa parte da literatura sobre inovação no mercado funerário, a combinação entre crescimento estrutural da demanda, baixa digitalização histórica e tecnologia cada vez mais acessível cria um cenário raro de oportunidade para empresas dispostas a modernizar processos.
Esse movimento de transformação digital, que envolve negócios conduzidos por profissionais como Tiago Schietti, deve se intensificar nos próximos anos conforme cresce a pressão por eficiência operacional em um mercado que já não pode depender exclusivamente de processos manuais para administrar uma demanda em expansão contínua.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez.
