O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, observa que a escolha do padrão de assentamento em projetos de pavimentação intertravada é uma decisão técnica que muitos profissionais ainda subestimam. Enquanto se debate sobre resistência à compressão e granulometria do rejunte, o projeto de paginação de paver segue sendo tratado como uma preferência estética, quando, na prática, determina a capacidade estrutural, a durabilidade e até o custo de manutenção ao longo do ciclo de vida do pavimento.
Boa parte das falhas prematuras em pisos intertravados se origina exatamente nessa etapa, quando o desenho gráfico é definido sem que se considere a direção das cargas ou o comportamento esperado do tráfego no local. A interface entre estética e engenharia raramente é tão direta quanto no piso intertravado; dessa forma, um mesmo produto, assentado em padrões diferentes, pode apresentar desempenhos estruturais significativamente distintos sob as mesmas condições de carregamento.
Entender por que isso acontece é o ponto de partida para projetar pavimentos que durem. Leia mais a seguir e confira!
O que o padrão de assentamento tem a ver com a resistência do pavimento?
No piso intertravado, a transferência de cargas entre as peças depende diretamente da interação entre os blocos e do travamento lateral que o conjunto proporciona. Padrões como o espinha de peixe (herringbone), por exemplo, distribuem os esforços em múltiplas direções simultaneamente, o que os torna particularmente eficazes em vias com tráfego de veículos pesados ou em áreas com carregamento concentrado. O alinhamento paralelo das juntas em um padrão de fileiras corridas, ao contrário, cria planos de menor resistência que, sob carga repetida, tendem a se propagar como fissuras ou afundamentos localizados.
Segundo o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim e especialista em sistemas construtivos, a especificação do padrão deve partir da análise de uso: tipo de veículo, frequência de tráfego, velocidade e pontos de frenagem ou manobra. Uma praça de alimentação ao ar livre tolera um leque de opções muito mais amplo do que um pátio de manobras de uma distribuidora logística.
Por que a geometria do traçado também condiciona a durabilidade da instalação?
A direção das juntas em relação ao fluxo de tráfego tem impacto direto na estabilidade do conjunto ao longo do tempo. Quando as juntas transversais ficam perpendiculares à direção de maior movimento, o travamento entre os blocos se mantém ativo mesmo com a acomodação natural da base. Já quando o padrão posiciona longas juntas contínuas no sentido do deslocamento predominante, há maior risco de migração lateral do material de rejunte e consequente afrouxamento das peças. Como considera o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, a análise do traçado não deve ignorar as bordas e os contornos do projeto.

O projeto de pavimentação como documento técnico, não apenas visual
Conforme ressalta o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, o projeto de paginação de paver entregue à equipe de obra precisa ser um documento técnico completo, com indicação do padrão de assentamento, sentido de instalação, especificação do produto, tolerâncias de junta, critério para cortes e referências de controle dimensional. Um simples desenho ilustrativo sem essas informações transfere ao executor decisões que deveriam ter sido tomadas na fase de projeto, com consequências diretas na qualidade final.
O mercado brasileiro de pavimentação intertravada tem amadurecido na oferta de produtos, com peças de alta resistência, variados formatos e acabamentos que atendem tanto a demandas funcionais quanto estéticas. O gargalo, muitas vezes, não está no produto, mas na qualidade do projeto e na precisão das especificações que o acompanham.
Da escala urbana ao detalhe construtivo: o futuro da pavimentação intertravada
A evolução dos projetos de pavimentação intertravada no Brasil caminha para uma integração cada vez maior entre critérios técnicos, ambientais e de experiência urbana. Sistemas permeáveis, peças com propriedades fotocatalíticas, pigmentos de alta estabilidade e formatos que facilitam a desmontagem e reutilização apontam para um piso intertravado progressivamente mais sofisticado e comprometido com a sustentabilidade do espaço urbano.
Nesse cenário, o projeto de paginação de paver deixa de ser um detalhe de obra para se tornar um instrumento central de decisão técnica. Em suma, o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim e especialista em sistemas construtivos, frisa que o engenheiro ou arquiteto que domina essa ferramenta entrega não apenas um pavimento bonito, mas um sistema construtivo coerente, durável e preparado para responder bem ao uso real ao longo de décadas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
